Em terra de chapinha, você pode ficar sem cabelo

Faz quase meio ano que decidi deixar pra trás chapinhas, e processos que alisavam o cabelo (insira aqui todas as escovas/progressivas possíveis) e me entregar as minhas madeixas como elas vieram ao mundo: encaracoladas.

Já tinha ouvido falar muito que aceitar seu cabelo enrolado é um ato político, mas ainda não tinha me convencido disso. Muito pelo contrário.

Quando descobri a chapinha, nos idos dos meus 13 anos, depois de algum tempo com ela decidi que nosso relacionamento nunca teria fim: eu tinha descoberto o par perfeito pros meus cabelos, até então, impossíveis de tratar.

Mas o que aconteceu foi que, justamente há 6 meses, numa consulta de rotina à minha dermatologista relatei que meu cabelo estava caindo e muito ralo. Depois de me perguntar minha rotina com ele, que na época era: chapinha dia sim/dia não para esperar a raiz crescer, já que a ultima progressiva que havia feito (e quase morrido fazendo, travou minha garganta e todas aquelas coisas super legais que a gente que alisa o cabelo sabe que acontece numa progressiva ou outra) estava saindo. Depois de tudo isso ela me deu um ultimato: ou parava com os alisamentos, ou meu cabelo cairia cada dia mais.

Não precisei nem pensar duas vezes, era melhor ficar com o cabelo “zoado” do que sem ele todinho. Nem alisar ia poder sem cabelo, né?

Conversei com a minha mãe. Ela, que alisa o cabelo desde que me entendo por gente, disse que era conversa de dermatologista e que nada ia acontecer. Disse que eu não devia voltar a usar o cabelo do jeito que era pois era muito indomável e feio e me deixaria estressada. Normal, o que mais esperar de quem, pensando em me fazer o bem, me levava pra alisar os cabelos desde adolescente?

Mesmo assim, preferi seguir o conselho médico (afinal, era visível que meu cabelo estava muito pouco) e decidi: já que ia ter o cabelo natural, faria o possível pra que ele ficasse o mais apresentável possível.

Ainda sem o apoio da minha mãe querida, tive o apoio do meu pai que afirmou, quando a ouviu dando o contra: “Acho que a Marília deve deixar o cabelo enroladinho sim, fica ótimo e é natural.” Além do apoio do meu lindo namorado que tem acompanhado de perto toda a transição (não é fácio hahaha) e da minha melhor amiga que é da família dos ondulados e adora um cabelo al naturale.

Desde então minha empreitada em busca dos cachos perfeitos tem sido um caminho cheio de pesquisas, leituras e investimentos. Ainda mais que vivo na dúvida se meu cabelo ainda está em fase de transição (já que fiz minha última selagem em novembro, pra uma peça que ia apresentar e já tinha decidido fazer de cabelo liso) ou se ele já se livrou de toda a química.

Hoje, há quase seis meses desintoxicada hahaha acredito, realmente, que aceitar seu cabelo como ele é uma questão de atitude. Ainda bem que quase aconteceu uma tragédia (é, perder o cabelo é trágico pra qualquer mulher), pra que eu me desse conta de que cada dia mais precisamos nos aceitar, e amar, como somos. Afinal, isso também é política.

obrigada por me fazer entender, migue!
obrigada por me fazer entender, migue!

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1 comentário

  1. Oie!!! Sei bem o que passou, pois passei pelo mesmo problema… os meus depois de 7 anos de progressivas também começaram a cair… ficaram bem ralos… decidi ir ao médico e ouvi o mesmo conselho… não teve jeito… voltei pros cachos… mas realmente não é fácil essa fase de transição… tem que ter muita força de vontade, mas tenho certeza que vai valer a pena!!! Já faz uma ano que estou sem química… tentando me adaptar aos cachinhos!!! rssss… Boa sorte pra nós!!!!

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